Como fazer o acerto do home game: quem paga quem no fim da noite

11 de setembro de 2026

A mesa acabou, todo mundo está com sono e alguém pergunta: quem paga quem? É aqui que a noite boa vira discussão. Não porque a matemática seja difícil, mas porque ela é feita no pior momento possível, com seis pessoas falando ao mesmo tempo.

O acerto tem duas etapas, e o grupo costuma pular a primeira

Quase todo home game trata o acerto como uma coisa só: descobrir quem manda Pix para quem. São duas.

A primeira é o resultado individual: quanto cada jogador ganhou ou perdeu. A segunda é a liquidação: como essa lista de positivos e negativos vira o menor número possível de transferências. Misturar as duas é o que faz a conta demorar e alguém sair achando que pagou errado.

Etapa 1: o resultado de cada jogador

A conta é simples e não muda nunca:

Resultado = fichas no fim − tudo que a pessoa colocou

“Tudo que colocou” é o buy-in inicial mais cada rebuy aprovado. É aqui que mora o erro mais comum da noite: o rebuy entregue às 23h e nunca anotado. Uma ficha entregue sem registro é dinheiro que sai do caixa e não aparece em lugar nenhum, e ele só reaparece no fim, como diferença que ninguém explica.

Some os resultados de todo mundo. O total tem que dar zero. Em cash game, o dinheiro não desaparece: ele muda de bolso. Se não fechar em zero, existe um erro, e adiantar o acerto antes de achá-lo só transfere o problema para quem for pagar.

Quando a conta não fecha em zero

Antes de sair cobrando, confira nesta ordem:

  1. alguém saiu no meio da noite e as fichas dele não foram contadas;
  2. um rebuy foi entregue e não registrado;
  3. alguém contou as fichas errado, geralmente confundindo cores parecidas;
  4. havia fichas sobrando na mesa que não são de ninguém.

A sobra também pode ser proposital, quando o grupo combinou que uma parte fica com a casa para cobrir comida e bebida. Se foi combinado, registre como tal. Se não foi, é erro — e chamar erro de “sobra do organizador” é como amizade de mesa começa a desgastar.

Etapa 2: quem paga quem, com o mínimo de Pix

Com os resultados na mão, o grupo costuma fazer o óbvio: cada perdedor paga um pedaço para cada ganhador. Funciona e é o pior jeito. Numa mesa com três perdedores e dois ganhadores, isso gera até seis transferências — seis chances de alguém esquecer, e seis mensagens de cobrança na segunda-feira.

Dá para fazer muito melhor com uma regra que cabe num guardanapo:

  1. separe quem tem a receber de quem tem a pagar;
  2. pegue o maior devedor e o maior credor;
  3. o devedor paga ao credor o menor dos dois valores;
  4. um dos dois zera. Atualize o outro e repita.

Um exemplo completo

Mesa de seis pessoas, buy-in de R$ 100, alguns rebuys no meio:

Confirmando: entraram R$ 1.000 na mesa e saíram R$ 1.000 em fichas. Os positivos somam R$ 360 e os negativos, R$ 360. A conta fecha.

Agora a liquidação, aplicando a regra:

  1. maior devedor é o Rafa (220), maior credor é a Marina (220). Rafa paga R$ 220 para Marina. Os dois zeram de uma vez;
  2. sobram Lucas a receber 140, João devendo 100 e Bia devendo 40. João paga R$ 100 para Lucas;
  3. Lucas ainda tem 40 a receber e a Bia deve exatamente 40. Bia paga R$ 40 para Lucas.

Três transferências em vez de seis. O Caio não entra em nenhuma, porque terminou zerado — e isso é outro detalhe que o improviso costuma errar, incluindo quem não tem nada a ver com a conta.

Por que essa regra funciona

Cada passo zera pelo menos uma pessoa. Com cinco jogadores em jogo no acerto, no máximo quatro transferências resolvem tudo, e na prática costumam ser menos, porque valores iguais zeram dois de uma vez — foi o que aconteceu entre Rafa e Marina.

Vale a honestidade: essa regra não garante o mínimo absoluto em todos os casos possíveis. Achar o mínimo matemático exato é um problema difícil de verdade. Mas em mesa de home game ela chega no melhor resultado quase sempre, e a diferença, quando existe, é de uma transferência.

O que acontece depois, e quase ninguém trata

O acerto calculado não é dinheiro recebido. Na terça-feira, metade dos Pix não saiu. O organizador vira cobrador de amigo, que é o papel mais desconfortável do home game.

Duas coisas ajudam, e as duas são combinadas antes, não depois:

Como o PokerCrew faz isso

No PokerCrew, as duas etapas acontecem sozinhas. Cada buy-in e cada rebuy é registrado no momento em que é aprovado, então o total investido de cada pessoa já está certo quando a mesa acaba. Na hora de encerrar, você digita as fichas finais e o app faz a conferência: se não fechar em zero, ele avisa antes, e não depois.

A liquidação sai pronta, no formato “Rafa paga R$ 220 para Marina”, com o mínimo de transferências e um resumo para colar no grupo. Quem saiu no meio da noite já entra com o resultado congelado, e a mesa não fecha enquanto alguém estiver esperando a contagem de fichas.

A primeira mesa é grátis, sem cartão. Mesas com até dois jogadores não contam, então dá para testar o fluxo inteiro antes de usar numa noite de verdade.

Se você está montando o grupo agora, vale ler também como organizar um home game, como montar o stack inicial e quanto custa manter a mesa.

Pare de brigar com a planilha às 2h da manhã.

O PokerCrew controla buy-ins, rebuys e a liquidação sozinho. Seus jogadores entram por QR, sem instalar nada.

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